A página branca. Eu. A página branca. Eu. O debate. A mente vazia de um dia rotineiro cansativo, pega de surpresa com um exercício que faz pensar diferente.
Segundo parágrafo. O pensamento começa a andar, mas esbarra na falta de algo extraordinário para dizer, ou melhor, escrever, somado a constantes erros de digitação e tropeçadas no teclado comunitariamente empoeirado. Guerra do Shift e Caps Lock. Backspace como uma metralhadora branda. Parada para retornar e acrescentar trechos e apostos, para tornar mais vivo e interessante o texto, ou senão somente enxertar o parágrafo, para que não fique tão curto quanto o anterior. Realmente está difícil.
Vista cansada. Cansada por serviços constantes em frente a telas de vários formatos, dimensões, resoluções, matérias-primas. Objetivos e propósitos muito diferentes. Agora, minha retina gasta os últimos quadros capturados numa tela desregulada, com baixa atualização de quadros, com um branco tão branco que mais parece sabão em pó diluído em leite. Talvez essa seja a única comparação disponível no vasto banco de dados do meu hipocampo. Arquivos inacessíveis por falta de energia para a transferência. Muito cansado pra pensar.
O que seria de mim se não fosse a bendita ferramenta de correção no programa de edição de textos. Pensar está difícil, quanto mais pelos defeituosos períodos escolares vividos. Mesmo sendo o primeiro da sala no primário, ou Fund I para os íntimos e modernos, acabei por ser contaminado pela linguagem informal oculta sob o desinteresse de alguns professores, a falta de investimento em educação pelos engravatados, e pelo incentivo deturpado e, muitas vezes, inexistente, dos pais e familiares quanto à aplicação e concentração de seus pequenos rebentos aos estudos. Talvez esse último “a” craseado fosse um diferencial pra mim, claro, se houvessem entrevistas de emprego para crianças de 10 anos.
Alterei a fonte da página.
Arial dificulta a leitura, quanto mais em telas de tubo que parecem lâmpadas fluorescentes
piscando à frente dos seus olhos entreabertos. Além de professores de design
com cabelos encaracolados e que gostam de roupas que contrastam entre si não
preferirem o tal Arial.
Times New Roman. Difícil de
escrever, pra quem teve que, nas aulas de Inglês, partir em 5 séries seguidas
do tradicional e simplório verbo “To be”. Pinceladas de Simple Present. To
be or to be: This is the education in Brazil.
Tahoma! Enfim uma fonte que
eu amo de paixão, e que me faz disparar na frase escrita, tamanha minha
admiração e alegria com estas letras belas e formosas... Letras que me
acompanham em quase todas as produções que faço, seja vídeo, foto, texto... Até
a tal rede social é feita em Tahoma! Feliz estou! Seriam todas essas questões
incluídas na escolha se a prioridade disso tudo não fosse somente encontrar uma
formatação grande o suficiente para atender à exigência do exercício proposto.
Duas páginas. Duas páginas!
Creio que cheguei ao limite de minha felicidade contida, temporária e condicional, fechando as últimas linhas de uma história boa talvez para nota, mas quem sabe também para algo além. Preciso entregar isso. Salvar antes que dê pau.
Texto escrito em atividade da disciplina de Leitura e Produção de Texto,
do Curso de Produção Multimídia, na UNISANTA.
Setembro de 2012.
Um comentário:
CARAMBA ! Tu tem talento garoto ! Belíssima crônica ! Continue, que tem futuro nisso !
Beijooos :)
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